Médico cubano fala sobre nova fase como secretário municipal em Chapada: ‘Está sendo um desafio’ | Rio Grande do Sul | G1

Médico cubano fala sobre nova fase como secretário municipal em Chapada:
Médico cubano fala sobre nova fase como secretário municipal em Chapada:

Richel Collazo chegou ao Rio Grande do Sul em 2014 — Foto: Reprodução/RBS TVRichel Collazo chegou ao Rio Grande do Sul em 2014 — Foto: Reprodução/RBS TV

Richel Collazo chegou ao Rio Grande do Sul em 2014 — Foto: Reprodução/RBS TV

O cubano Richel Collazo, que atuava como médico no Rio Grande do Sul, vive uma nova etapa de sua vida, à frente da Secretaria de Assistência Social e Habitação de Chapada, no Norte do estado. Ele foi nomeado secretário em fevereiro de 2019, após a saída de Cuba do programa Mais Médicos.

“Está sendo um desafio muito grande”, resume o profissional, que é casado com uma chapadense, possui residência permanente no Brasil e já tem naturalização encaminhada.

“Estamos trabalhando tanto a saúde como a educação, fazendo atividades de prevenção, tanto nas escolas como em grupos de saúde de idosos, grávidas e adolescentes”, detalha.

Para incluir o caribenho como secretário municipal, o prefeito Carlos Alzenir Catto (PDT) conta que precisou alterar a lei orgânica do município do Norte do estado.

“Tivemos que adequar nossa lei, a lei orgânica nossa dizia que podia ser brasileiro, suprimimos a palavra ‘brasileiro'”, explica o prefeito. “Estamos muito contentes com ele”, acrescenta.

Inicialmente, Richel foi convidado a assumir a Secretaria de Saúde, mas o processo de mudança da legislação, que exigia aprovação na Câmara de Vereadores, demorou e, por isso, o prefeito precisou escolher outra pessoa para administrar a pasta.

Além disso, o cubano preferiu desistir do cargo. “Não assumi a Secretaria de Saúde porque dentro do edital do Mais Médicos tem um inciso onde fala que não posso ter cadastro como gestor de saúde para concorrer a uma vaga do Mais Médicos”, justifica.

Planos na medicina

Antes de atuar como médico no estado, Richel Collazo teve aulas de português e sobre o sistema de saúde brasileiro — Foto: Reprodução/RBS TVAntes de atuar como médico no estado, Richel Collazo teve aulas de português e sobre o sistema de saúde brasileiro — Foto: Reprodução/RBS TV

Antes de atuar como médico no estado, Richel Collazo teve aulas de português e sobre o sistema de saúde brasileiro — Foto: Reprodução/RBS TV

Voltar a atuar como médico ainda é o grande desejo dele, que se formou em medicina em 2009 em sua terra natal. Richel perdeu o vínculo com o programa em novembro de 2018, quando o Ministério da Saúde Pública de Cuba anunciou a decisão de deixar o Mais Médicos por conta de “declarações ameaçadoras e depreciativas” do presidente eleito, Jair Bolsonaro.

“Ainda estamos aguardando. O ministro da Saúde falou que no novo programa que vai substituir o Mais Médicos poderíamos estar sendo contemplados. Sobre o tema Revalida, também estamos na espera da abertura de editais, mas ainda sem previsão”, explica o médico, que precisa revalidar o diploma de medicina obtido em Cuba para exercer a profissão no Brasil.

Chapada tem secretário cubano de Assistência Social e Habitação  — Foto: Divulgação/Prefeitura de ChapadaChapada tem secretário cubano de Assistência Social e Habitação  — Foto: Divulgação/Prefeitura de Chapada

Chapada tem secretário cubano de Assistência Social e Habitação — Foto: Divulgação/Prefeitura de Chapada

O Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituições de Educação Superior Estrangeira (Revalida) é obrigatório para que os brasileiros e estrangeiros que se formaram em medicina em universidades do exterior possam exercer a profissão de médicos no país.

Desta forma, Richel poderia ser contratado como médico, mesmo fora do programa Mais Médicos.

“Fazer o que estudei, seja no novo programa ou através do Revalida, é o que eu gostaria de fazer”, planeja o secretário.

Depois da saída dos médicos cubanos, quase 30% dos municípios do estado ainda têm vagas abertas no Mais Médicos. Dos 1.318 postos que o estado tem, 262 não foram preenchidos em 140 cidades. Porém, não contemplam médicos formados no exterior.

O Ministério da Saúde informou que mantém a renovação dos profissionais no programa apenas em cidades mais vulneráveis, e que estendeu o pagamento da verba de custeio para unidades de saúde da família que perderam profissionais do Mais Médicos. Além disso, diz que trabalha na elaboração de um novo programa para ampliar a assistência à rede básica.

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