O fenômeno das carreiras de vários está ganhando força no Brasil. Compreender | TOMAR

Fenômeno das carreiras múltiplas está ganhando adeptos no Brasil. Entenda
Fenômeno das carreiras múltiplas está ganhando adeptos no Brasil. Entenda

mulher com vários braços

Atuar em mais de uma área pode melhorar suas habilidades profissionais (jayfish/Thinkstock)

Se o LinkedIn, rede social para profissionais, existiu durante os anos da Renascença, Leonardo da Vinci seria difícil resumir, em seu perfil, tudo o que ele fez. Afinal, o italiano foi um pintor, escultor, designer, cientista, engenheiro, anatomista, inventor, matemático, arquiteto, botânico, poeta, músico. Se eu queria marcar todas as suas áreas de atuação, ele iria apossar-se dos bares — e colocá-los separando cada atividade.

O desafio do gênio do Renascimento não poderia ser mais atual. Ter várias carreiras, simultaneamente, a tendência é que, nos Estados Unidos, recebeu o nome de carteira de carreiraou uma carreira de carteira”, na tradução literal para o português.

O fenômeno está ganhando mais e mais fãs por causa da flexibilidade do mercado, mas já foi descrita no início da década de 90 pelo guru de negócios, Charles Handy. Ele disse que esse comportamento significa “buscar um portfólio de atividades — alguns que não fazem por dinheiro, alguns por interesse, alguns por prazer, outros por uma causa”.

O movimento em torno do tema tem crescido nos últimos anos e levou o americano Marci Alboher criar mais de um termo para o fenômeno: barra efeito, ou “barra” símbolo no teclado que precisa ser utilizados por Da Vinci em sua hipotética currículo.

“Eu percebi que as pessoas estavam tendo dificuldade em preencher o perfil no LinkedIn, porque não têm mais do que apenas uma profissão. E, em seguida, aprovou a barra para descrever a sua carteira de actividades”, diz Marci, autor do livro Uma Pessoa / Várias Carreiras (“Uma Pessoa / Várias Carreiras”, ainda sem edição brasileira, o e-book para 12,49 reais na Amazon).

De acordo com especialistas, esse tipo de ação não é apenas um bico. Isso porque, se caracteriza como um projeto de vida que é construído em torno de um conjunto de habilidades e interesses em comum.

“O bico é quando as pessoas usam o tempo livre para ganhar um troco a mais, sem frequência. Mas, quando você investe o seu tempo com paixão e propósito, é a construção de uma nova carreira”, diz Marcelo Veras, co-fundador da Inova Escola de Negócios.

Equação balanceada

Você pode estar pensando: “Duas carreiras? Estou exausto, investindo em um”. No entanto, para muitos, a dupla ou tripla jornada tem sido a recarga do combustível que faltava para dar aquele gás para a vida profissional.

“Vivemos em um tempo de busca de propósito e identidade. Podemos ver o trabalho como uma arena para a realização pessoal e não apenas como uma fonte de renda”, explica Mônica Barroso, coach e diretor da aprendizagem da Escola da Vida Brasil, uma escola de base em São Paulo, que é dedicado ao desenvolvimento de inteligência emocional.

Para esta classe, quando há um equilíbrio entre o trabalho por dinheiro e trabalhar para buscar interesses pessoais, há mais felicidade. Prova disso é um estudo realizado em 2017 E Co, uma empresa que cria um aplicativo para o auto-emprego, o qual revelou que 68% das pessoas sentem que têm uma melhor qualidade de vida ao gerenciar vários projetos ao mesmo tempo. Além disso, 94% dos entrevistados disseram ter escolhido conscientemente para viver dessa maneira, e tem a intenção de continuar com este esquema, para sempre.

Embora no Brasil ainda não existem estudos específicos sobre o assunto, o sentimento dos especialistas é que a tendência vai crescer aqui, considerando a capacidade das gerações futuras de auto-gestão.

De acordo com uma pesquisa global desenvolvido pela european Grupo Sage, 66% dos millennials não quero emprego formal. Entre os brasileiros, o número salta para 71%. “É uma geração que busca a realização pessoal e bem-estar, e que nem sempre encontra presente no mercado corporativo. Por esta razão, começou a buscar a realização em paralelo a uma carreira formal”, diz Alexandre Attauah, gerente sênior de recrutamento da empresa de consultoria executiva da Robert Half.

Muitas razões

As motivações para ter mais de uma carreira são diversas. A partir de um ponto de vista pessoal, pode variar de vontade de atuar em uma área complementar para o desejo de aprender novas coisas e a necessidade de encontrar formas de ampliar os ganhos em atividades financeiras que geram satisfação.

Do ponto de vista do mercado, é inteligente para se preparar para uma realidade na qual o trabalho por projeto, e com contrato flexível será a regra. “Como a economia avançar para contratos de curto prazo e projetos freelances, vai ser útil para cultivar mais de uma maneira de ganhar a vida.

Assim você pode se mover de acordo com as mudanças das condições de mercado”, diz o americano Marci. “Uma pessoa que tem uma experiência vivida por uma diversificada tem mais repertório e pode expandir suas frentes”, diz Henrique Dias, diretor de planejamento da empresa de consultoria Box 1824.

Além de aumentar o escopo de trabalho, um profissional multi-fortalece a sua empregabilidade, pois desenvolve habilidades altamente exigidos, tais como o poder de adaptação, agilidade e com as alterações e a velha e boa resiliência. “Essas são as qualidades vistos por qualquer empresa”, diz Alexander.

Perfil específico

Mas este tipo de carreira não é para todos (faça o teste abaixo). Aqueles que estão ligados à rotina e para est

capacidade financeira são susceptíveis de ser infeliz trabalhando em mais de uma frente, a menos que eles podem conciliar um trabalho de meio período, com as atribuições de outra carreira.

As características mais importantes para se sentir realizado neste esquema são: gostaria de desenvolver vários projetos ao mesmo tempo, ter a capacidade de criar relações, sinta-se como um admirável novo mercado, ter uma certa tolerância ao risco, e, é claro, de ser curioso.

“Quem descobre que uma segunda profissão faz sentido, como pesquisado e experimentado vários tipos de trabalho. Sabemos que o mundo está em execução e que você precisa para correr junto”, diz Eduardo Migliano, um dos fundadores da 99 postos de trabalho, uma plataforma que conecta profissionais para empresas.

Criatividade e organização também são essenciais. “Essas pessoas têm a vontade e a energia acima da média, porque a dupla jornada requer maior esforço e disciplina, uma vez que é necessário lidar com dois ou mais agendas”, diz Alexander, da Robert Half.

Os atributos podem até parecer excessiva. Mas não se desespere: ninguém precisa ser um gênio do Renascimento, para trabalhar dessa forma. Tudo é uma questão de perfil. Portanto, antes de fazer a viagem, lance mão de uma boa dose de auto-conhecimento para compreender se este estilo tem, ou não, fazer com você — e as histórias que partilhamos nas próximas páginas pode ajudá-lo nesta jornada.

Depois de tudo, só vale a pena entrar em uma tendência, se ele realmente faz sentido para a sua vida. Se parece que esta não é a sua praia, fazer os testes e analisar os resultados. Estas são duas das verdadeiras habilidades dos gênios. Certamente, Leonardo da Vinci aprovaria a atitude.

 

size 960 16 9 vantagens ser invisivel emma

A depressão pós-parto levou ao dentista Denise Freire, 53 anos de idade, para o exercício da prática do yoga para 16 anos. As classes tornou-se uma paixão. Tanto é assim que, naturalmente, ela estava experimentando com diferentes modos e imersos no tema. “Eu já estava cansado de estudar na minha área e eu vi no yoga a oportunidade de estudo para uma vida inteira. Eu decidi especializar-se.” Por 13 anos, mergulhou no esporte Iyengar, um dos mais tradicionais. E, em 2014, veio o convite para dar aulas. “Ensinar é a forma que encontrei para compartilhar o meu conhecimento.” Por outro lado, é no escritório que é a “família” de Denise. “Tenho pacientes que estão comigo há 30 anos. Eu não consigo me ver sem essas pessoas.” Por esta razão, ela divide seus dias entre as duas atividades: durante 6 horas, cuida do sorriso de seus clientes e, em 3 horas restantes é dedicado ao yoga (estudar, praticar ou dando aulas particulares). Nos meses de janeiro, quando o ritmo na clínica é menor, Denise aumenta o número de aulas semanais. Para dar conta de tudo, ela planeja seus dias e tenta seguir a lista de verificação para a letra. “É intenso, mas é prazeroso. Você deve ter algo que irá mover-se e gerar paixão. O Yoga ajuda-me com as duas coisas: ele melhora a minha dor nas costas, um problema comum para os dentistas, e me ajuda a manter a serenidade para lidar com o estresse do dia-a-dia.”

os.com.br/wp-content/uploads/2019/05/imagem11-05-2019-09-05-22.jpeg” alt=”imagem11-05-2019-09-05-22″ largura=”768″ height=”853″ />

Denise Freire na aula de yoga | Foto: Alexandre Battibugli

 

O arquiteto Murilo Lopes Pereira, de 35 anos, que trabalha com cenografia, programas de televisão, começou sua carreira segundo, o de artista do tatuagem, motivado por um desejo de desafiar a si mesmo. Com o seu negócio vai muito bem, ele lidera a equipe que cria os cenários dos programas O Tanque de Tubarões, a Sony, A Quatro, a apresentadora Xuxa para o Registro, e MultiTom, Tom Cavalcanti para o MultiShow —, queria voltar para a escola para fazer algo diferente. “A minha paixão pelo desenho levou-me a este desafio. Eu já pintadas e queria algo novo. A tatuagem me ajuda a levar a arte para o corpo das pessoas, o que é eterno.” A primeira tatuagem que ele fez foi um amigo, que divulgou a arte em redes sociais. Foi um sucesso. Muitas pessoas gostaram do traço e ele começou a ser procurado. Hoje, Murilo divide seu dia entre as duas atividades. De segunda a sexta-feira, das 11 às 18 horas, é a produção de designer. Três dias por semana, à noite e aos sábados, é o artista do tatuagem. Por mês, suas canetas para marcar a pele de 16 pessoas, em média. E ele já tem fila. “Trabalho como o inferno, porque eu gosto. As duas atividades me dão prazer. No futuro, eu quero tatuar mais, mas nunca pare uma das duas profissões.” Para aqueles que querem ter mais de uma carreira, ele dá uma dica: “Eles têm para te dar prazer e respeitar os seus valores. Se for importante, você fazer dar certo.”

 

imagem11-05-2019-09-05-23Murilo Lopes | Foto: Germano Lüders

imagem11-05-2019-09-05-23

imagem11-05-2019-09-05-24

 

 

imagem11-05-2019-09-05-24

Com 11 anos de experiência no agronegócio e passagens por empresas como a Monsanto e a Votorantim, a bióloga Marina Quáglio, de 34 anos, ele trabalhou em diferentes áreas da empresa. Foi através da qualidade, inovação e sustentabilidade até chegar marketing e comunicação. Esta última experiência levou para o setor comercial do Grupo Neoenergia, que é o supervisor de comunicação com o cliente e cuida das equipes espalhadas por todo o país. Mas Marina, que também sonhava em ter sua própria empresa. “Olhando para a minha carreira, percebi que, para aceitar várias experiências aumentaram minhas habilidades e minha empregabilidade. Eu pensei que eu poderia ajudar outras pessoas a fazer isso.” Assim nasceu, em 2017, o DTFlex (Desenho Tático de Carreira), uma plataforma online que ajuda os profissionais a pensar sobre como suas habilidades podem ser usadas no mercado de trabalho atual. Para conciliar as duas atividades, a Marina é dedicado ao trabalho formal, das 8 às 17 horas e atende seus clientes de 19 a 22 de horas em um escritório de coworking. Além disso, alguns dos seus sábados são dedicados a ensinar oficinas para os seus alunos. “Com a jornada dupla, você acaba sendo mais estratégico. Na empresa, eu tenho que render muito para não levar trabalho para casa, porque, quando eu sair de lá, eu viro a chave empreendedora.” Quando comunicadas aos seus gestores sobre o arranque, Marina recebeu o apoio imediato. “Há uma abertura e uma grande confiança na empresa. Meu chefe acredita que essa experiência vai trazer mais conhecimento sobre gestão de pessoas e liderança.”

imagem11-05-2019-09-05-25Marina Quáglio | Foto: Germano Lüders

 

Quando se formou, há 13 anos, a psicóloga Ana Graziela Stenico, de 36 anos, logo começou a se reunir no escritório, mas confrontados com a dificuldade financeira de mantê-lo. “O retorno foi difícil porque eu tinha uma carteira grande de pacientes, e que os custos fixos da prática eram altos.” Ao mesmo tempo, ela começou a receber algumas propostas para atuar na área de recursos humanos. Um dia, ele aceitou e deixou a clínica de lado. Mas depois de uma década em Oji Papéis Especiais, onde é business partner de RH, tinha um desejo de agir como um psicólogo novamente. Antes de desistir de tudo, fez sessões de coaching para buscar o auto-conhecimento. “Descobri que o que fazia sentido era ter a flexibilidade para ser um psicólogo, o trabalho na empresa e dar mais atenção à minha filha.” Em 2018, Ana Graziela falou com seu chefe e propôs que o contrato tornou-se, em meio período. A empresa aceita e o modelo, para que o piloto tenha sido replicado para outros funcionários. Hoje, o profissional passa a 30 horas por semana para o trabalho formal, e organizou a agenda de acordo com a sua necessidade. “Eu faço a 6 horas por dia, alternando os dias que eu vá mais adiante, e outro que eu sair mais cedo. Em poucas semanas, trabalhando 7 horas por dia, para compensar a sexta-feira e ficar com a minha filha.” Para o contrato de trabalho, foi necessária para encontrar a melhor clínica. “Eu achei um perto da minha casa, em que eles só pago aluguel, nos dias que eu uso o quarto.” Ana Graziela já tem uma remuneração equivalente à que recebeu quando se trabalha em tempo integral, mas com muito mais qualidade de vida. “Para dedicar tempo para o que faz sentido para mim energiza. Eu encontrado a fórmula ideal.”

imagem11-05-2019-09-05-26Ana Graziela Stenico | Foto: Germano Lüders

 

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.


*