Para a FGV, a política tem causado confusão e o país está “estressada” | EXAME

Para FGV, política causou confusão e país “está estressado”
Para FGV, política causou confusão e país “está estressado”

Presidente Jair Bolsonaro com ministros e os presidentes da Câmara e do Senado para entrega da proposta do governo para reforma da Previdência

O presidente Jair bolsonaro com os ministros e os presidentes da Câmara e do Senado para a entrega da proposta do governo para a reforma da Previdência
20/02/2019 (Marcos Correa/Reuters)

Rio – Os aspectos políticos, que emperram o andamento da reforma da Previdência no Congresso Nacional, são o principal peso das incertezas que levou à paralisia da economia no primeiro trimestre deste ano, na avaliação do pesquisador Claudio Considera, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), coordenador do Monitor do PIB. Anteriormente, a FGV informou que o Monitor do PIB aponta para uma queda de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre em comparação com o quarto trimestre de 2018.

“O comportamento político do governo tem causado muita confusão. O País está estressado. Cada dia é uma confusão”, disse o Considera.

Para a pesquisadora, o quadro de “standby” a economia não é novo, concebido há dois anos. A particularidade de o cenário do primeiro trimestre é que ele tem um gosto de frustração, pois segue o quadro de expectativas positivas após as eleições de outubro do ano passado, os ativos negociados na bolsa de valores continuou a apreciar-se, a confiança mudou, lembrou a Considerar.

“A equipe econômica é grande, qualificado, todas as expectativas foram positivos, e isso é revertido em três meses”, disse o Considera.

Os dados desagregados do Monitor do PIB apontam para uma alta de apenas 0,4% na formação bruta de capital fixo (FBCF, conta de investimentos no PIB) no primeiro trimestre ante igual período de 2018, sinalizando uma grande perda de ritmo. No trimestre móvel de término em agosto de 2018, a formação bruta de capital fixo cresceu de 8,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. E dentro da FBCF, o desempenho de máquinas e equipamentos passou de uma alta de 26,4% no trimestre terminado em agosto de 2018 para 0,5% no primeiro trimestre deste ano.

Na comparação do primeiro trimestre com o quarto trimestre de 2018, investimentos em máquinas e equipamentos caiu 5,0%, informou Considerado. A interrupção dos industriais de investimento em bens de capital é um sinal, de acordo com o pesquisador, e a elevação da incerteza do setor privado em relação à direção da economia.

Calma

Para o Considera, “precisa ter calma no País,” para que os investimentos privados estão à tona, não só na indústria, mas também em infra-estrutura, para atrair o capital internacional. Na opinião do pesquisador do Ibre/FGV, a recuperação cíclica da economia através do investimento, que vai puxar a produção industrial, de serviços e, sim, gerar emprego e renda, capaz de aumentar a demanda por via do consumo.

E este investimento, diz ele Considera,deve ser privada, porque os governos, em todas as esferas, estão quebrados e não há espaço fiscal para investimentos públicos. Neste sentido, “não faz sentido” uma nova rodada de cortes na taxa básica de juros (taxa Selic, agora em 6,5% ao ano), com o objetivo de estimular a demanda, disse o Considera.

“Espero que os pobres resultados do primeiro trimestre mostram que esse comportamento (de governo) tem de ser alterado, sob o risco de uma queda da economia este ano”, disse o Considera.

Na opinião do pesquisador, a reforma da Previdência “não é suficiente, mas é condição necessária” para que a recuperação cíclica através de investimentos pode ser retomada. Desta forma, conclui, Considera, as reformas não podem parar na Pensão, mas a mudança nas regras de aposentadoria é um primeiro passo que deve ser dado em breve.

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